A defesa da vida através da vacinação

Por João Moura

O cansaço naquele final de tarde, não diminuía a emoção e a alegria acumuladas ao longo das últimas horas. Em um dos espaços destinados à vacinação na Unidade Básica de Saúde (UBS) Chico Costa, em Mossoró, em abril de 2021, a aluna da Faculdade de Enfermagem, Mariana Medeiros, de 23 anos, havia acabado de encerrar seu primeiro dia atuando na aplicação de vacinas contra a Covid-19. Aquele seria apenas um entre vários episódios nos quais ela contribuiria ativamente para distribuir doses de vacina, otimismo e esperança.

Ao longo dos meses seguintes, Mariana esteve entre os mais de 50 estudantes da Uern que atuam diretamente na vacinação contra a Covid-19 no município, através do projeto de extensão “Uern Vacina Mossoró!”. Além de alunos de diferentes cursos, somaram-se ao projeto professores, técnicos de nível superior, pós-graduandos, membros externos e discentes de outras instituições de ensino, totalizando cerca de 100 voluntários que, ao longo de 2021, aplicaram milhares de vacinas junto à população.

“Nós temos uma média de 400 pessoas vacinadas por turno, tendo escalas de dois turnos nos sete dias da semana. A nossa contribuição é enorme”, destaca a professora da Faculdade de Enfermagem, Magda Lima, coordenadora do projeto, o qual contempla a vacinação contra a Covid-19 e outras doenças, como a influenza. Além da aplicação em si das vacinas, os voluntários atuam em outras etapas do processo, como a recepção, registro, triagem e orientação da população, já tendo atendido os mossoroenses nos principais pontos de vacinação da cidade, como unidades básicas de saúde, o Ginásio Municipal Pedro Ciarlini e o Ginásio do Serviço Social da Indústria (SESI).

“Quando a gente observa a redução dos casos de covid e dos leitos de UTI, a gente sabe que cada vida salva tem a mão da Uern também. A mão da Uern que vacinou, que orientou, que preencheu o cartão, que ajudou de alguma forma. Sem os voluntários, não haveria recursos humanos suficiente para atender tantas pessoas”, frisa Magda Lima. Além da participação constante dos voluntários, o projeto conta com entidades parceiras, como a Câmara de Dirigentes Lojistas de Mossoró (CDL), a Fundação para o Desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Rio Grande do Norte (FUNCITERN) e o Rotary Club, que doaram coletes utilizados pelos participantes.

Todo o trabalho exercido pelos voluntários, acrescenta a professora, também contribui ativamente para a formação profissional dos discentes. “Quando os participantes têm essa experiência, eles vão mais seguros para o campo da prática, vão mais conhecedores de uma área muito complicada, que é a vacinação, que só conhece melhor quem tá ali no dia a dia”, salienta Magda.

Para Mariana Medeiros, a qualificação profissional reflete apenas um aspecto do engrandecimento advindo da experiência. “O crescimento pessoal e profissional, eu vou levar para minha vida toda. Não há dinheiro que pague a sensação de satisfação que sinto. Não tem recompensa maior e melhor do que deixar minha contribuição, enquanto estudante do curso de Enfermagem, para a população mossoroense”, afirma.

Durante uma ação promovida por uma igreja de Mossoró nos locais de vacinação da cidade, a aluna recebeu de uma criança uma carta de agradecimento, a qual ainda hoje guarda, com o mesmo carinho com que se dedicou à vacinação de tantas pessoas.

Para a aluna, assim como os olhares emocionados das pessoas imunizadas e as falas de carinho e gratidão recebidas a cada turno do trabalho voluntário, são as palavras grafadas na carta que lhe fornecem o “combustível diário” para dedicar-se ao trabalho, aos estudos e à luta constante pela preservação da vida:

Aluna da Faculdade de Enfermagem, Mariana Medeiros recebeu uma carta agradecendo pelo trabalho na luta contra a Covid-19.

"Você não sabe o quanto tem sido importante na minha vida e na vida de muitas famílias, pelo seu carinho por todos que estão enfrentando essa situação tão difícil. Sou testemunha do grande amor que você tem por aqueles que estavam ou estão doentes por causa desse vírus que tem trazido dor e sofrimento para as famílias. Que Deus te proteja e também toda a sua família. A luta é difícil, mas estamos juntos com você. Agradeço a Deus pela sua vida".

UERN cada vez mais perto de alcançar sua Autonomia Financeira

Por Luziária Machado

Um sonho perseguido por gerações de servidores da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) está muito próximo de ser realizado. Elaborado por uma comissão composta por representantes do Governo do estado e de todos os segmentos da Uern, o projeto de autonomia financeira da instituição em breve deverá ser apreciado pela Assembleia Legislativa, último passo antes de se tornar realidade.

Durante suas duas gestões, a autonomia financeira foi uma das prioridades do reitor Pedro Fernandes, e uma luta constante para que se tornasse realidade. Para o reitor, a importância da autonomia se justifica por estar diretamente ligada ao fortalecimento da instituição. “Este projeto garante maior estabilidade e segurança financeira. Sem autonomia, a Universidade permanece na dependência de liberação de recursos mensais para atender suas necessidades. Havendo um cenário de crise financeira, esta situação fica ainda mais delicada”.

A ideia é que a Universidade passe a receber mensalmente um repasse financeiro através de duodécimo, a exemplo do que acontece com outros órgãos como a Assembleia Legislativa e o Tribunal de Contas do Estado. Com este recurso em conta, a administração universitária será a única responsável pela gestão da folha de pagamento, custeio e investimento da instituição.

Por não ter autonomia financeira, hoje, o recurso previsto para a Uern na Lei Orçamentária Anual (LOA) do Estado não chega diretamente às contas da Universidade. Todos os pagamentos, seja salários dos servidores, de auxílio aos estudantes, aquisição de equipamentos pela Fonte 100 ou realização de obras são efetuados pelo Governo.

Desta forma, uma empresa que presta serviço terceirizado à instituição na área de segurança, por exemplo, tem seu pagamento realizado pelo Governo do Estado, e não diretamente pela Uern. No atual modelo, a Universidade elabora todo o processo do pagamento e envia para o Estado, que é responsável pela liberação do recurso financeiro.

Comissão de elaboração do projeto de autonomia financeira da Uern

Em 2020, o orçamento aprovado para a Universidade foi de R$ 290,66 milhões, no entanto, o executado foi de R$ 208,70 milhões. No ano anterior, dos R$ 273,01 milhões aprovados, a Universidade só executou R$ 224,61 milhões. A média/ano, de 2013 a 2020, é de R$ 275,66 milhões aprovados para a Uern contra R$ 233,96 milhões executados. Esse valor corresponde a 2,29% do orçamento geral do Estado.

De 2014 a 2017, a Uern enfrentou dificuldades orçamentárias e financeiras para cumprir as necessidades básicas de seu funcionamento. A partir de 2018, o cenário de diálogo e tratativa junto ao Governo do Estado ampliou as possibilidades de gestão orçamentária, sendo aberto o processo de discussão e tramitação da autonomia financeira.

A governadora Fátima Bezerra, chanceler da Uern, é favorável à autonomia financeira da Universidade e elegeu este projeto como uma das prioridades de seu governo. “Desde o início de nossa gestão, quando fomos procurados pela Reitoria da Uern, professores e entidades representativas, nos colocamos totalmente favoráveis à autonomia financeira da Instituição. Ampliar os recursos de uma Universidade que levou tanta oportunidade para milhares de pessoas no interior do Estado, dando chance de uma graduação e de uma pós-graduação, é um compromisso ético e administrativo. Não mediremos esforços para concretizar esse sonho que também é meu”, garantiu a governadora.

A reitora eleita da Uern, professora Cicília Maia, também elegeu a autonomia financeira como uma prioridade que deseja realizar logo no início de sua gestão à frente da Uern. “Esse é um sonho perseguido há décadas, e que se Deus quiser estaremos concretizando muito em breve. Será o quinto marco da história da nossa Uern, um legado do trabalho de muitas pessoas ao longo dos anos. A autonomia financeira vai nos permitir projetar a Universidade em curto, médio e longo prazo”, afirmou Cicília Maia.

A professora Fátima Raquel Morais, reitora em exercício da Uern, chama a atenção para a necessidade da Universidade, com a autonomia financeira, discutir internamente as prioridades da instituição. “A Universidade terá avanços significativos nas dimensões acadêmica e estrutural, porém, precisamos dialogar mais fortemente com a nossa comunidade sobre como o custeio, e principalmente o investimento da Universidade será aplicado ano a ano”, ponderou Fátima Raquel.

A autonomia financeira das universidades públicas é uma discussão nacional, especialmente diante dos ataques a essas instituições. Algumas universidades já alcançaram esse objetivo. A Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) é um exemplo, conquistou sua autonomia em agosto de 2004.

De acordo com o artigo 207 da Constituição Federal, “as universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”.

O Legado de Paulo Freire

Por: *LEFREIRE – Projeto de Extensão Diálogos em Paulo Freire e Educação Popular

No Centenário de Paulo Freire, o Patrono da Educação Brasileira, não há quem não se sinta tocado pelas suas ideias sobre a amorosidade e o esperançar como atos revolucionários. Sua convicção de que a mudança é necessária e possível é o que move os diálogos na busca constante pelo ser mais, não o ser mais que o outro, mas o ser mais na comunhão e nas interações democráticas participativas.

A Pedagogia do Oprimido, uma educação para a liberdade, congrega a potência deste legado que emergiu nas décadas de 50 e 60 do século passado, entre movimentos sociais que militavam pela valorização da cultura e da educação popular. Esta ebulição política e cultural efervescente fez florescer no Rio Grande do Norte um dos mais emblemáticos destes movimentos, “As quarenta horas em Angicos”, experiência de alfabetização de adultos que se desdobrou em turmas também na cidade de Mossoró. Muito mais do que ensinar a ler e escrever, tratou-se de uma proposta de formação humana impregnada da compreensão crítico-reflexiva sobre a realidade e, por isto mesmo, libertadora das opressões.

O golpe de 1964 encerrou o movimento de alfabetização e conscientização, mas não cerceou o desejo de emancipação que despontou o Andarilho das Utopias em sua jornada em busca da construção teórico-prática de uma educação de, com e para homens e mulheres livres. As marcas desta educação libertadora estão tatuadas na memória e na história de todos que, lendo a palavramundo, se compreendem como gente. No exílio, atuou como educador, escreveu livros, sonhou com um país redemocratizado, correu o mundo construindo sua pedagogia enquanto esperançava regressar. Ganhou notoriedade e se consolidou na história da educação brasileira e mundial.

Paulo Freire amou profundamente “as pessoas, os animais, as águas”, a democracia e o pensamento livre. Sua proposta transformou-se numa epistemologia sobre a educação como prática da liberdade, pronunciando uma ação conscientizadora para que as pessoas não sejam mais vítimas ou algozes da opressão e se reconheçam em suas identidades plurais e autênticas, sendo gentes no mundo.

Este momento de comemoração é, ao mesmo tempo, de indignação em face da crise humanitária e ambiental marcada pela acirrada negação do amor e da vida e profunda desigualdade que marca a sociedade capitalista global, e que foi escancarada pela pandemia do Covid-19. Porém, longe de estagnar, atiça ebulições políticas e cultiva o exercício criativo e criador coletivo contra a desesperança, problematizando a realidade em busca de inéditos-viáveis a serem construídos. Ou seja, mobilizando a todos os que se comprometem com a educação que ensina e aprende o exercício permanente da libertação.

*O projeto de Extensão Diálogos em Paulo Freire e Educação Popular – LEFREIRE, é vinculado à Faculdade de Educação (FE). Criado em 2011, realiza ações de extensão junto a comunidades circunvizinhas à UERN com o objetivo de colocar os principais conceitos presentes na obra do educador Paulo Freire em diálogo com a realidade, através de atividades teórico-práticas que contribuam para a compreensão e transformação da educação popular e da escola pública. O projeto é coordenado pela profª. Hostina Maria Ferreira do Nascimento.

Uern prioriza programas de Assistência Estudantil

Por Iuska Freire

A aluna Estefane Maria Silva Oliveira, 20 anos, moradora da zona rural de Doutor Severiano, percorria diariamente 36km por trajeto, para cumprir sua jornada de estudo no Campus Avançado de Pau dos Ferros. Estudante do curso de Letras/Língua Portuguesa, Estefane é envolvida com programas formativos e de iniciação científica. Tanta dedicação com o currículo tem um plano certo: pretende ingressar na pós-graduação.

Quando as atividades presenciais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) foram suspensas em março de 2020, devido à pandemia de Covid-19, Estefane ficou preocupada com os estudos no ensino remoto. “Só tinha acesso a um celular que, inclusive, o funcionamento dificultava muito o uso. Então, o auxílio digital foi a única forma de eu continuar estudando, porque corria o risco de não conseguir atender a demanda com o que eu tinha acesso. Sou da zona rural, não temos nem sinal de telefone aqui”, afirmou a estudante.

Estefane Oliveira “O auxílio digital foi a única forma de eu continuar estudando”

A história de Estefane é parecida com a de centenas de estudantes que enxergam na educação o único meio de progredir de vida. Aluna da escola pública, ela ingressou na Uern pelo sistema de cotas sociais. Mas, não basta ter política de equidade no acesso ao ensino superior, é necessário ter políticas específicas de permanência na Universidade. E essa é uma das prioridades da Uern. Foi com esse objetivo que a Pró-reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) foi criada em junho de 2018 e, nesse contexto de pandemia, tem empreendido esforços para garantir que os alunos tenham acesso às ferramentas de inclusão digital.

Contemplada no primeiro edital do Auxílio Inclusão Digital, Estefane usou o recurso para contratação de serviço de internet e aquisição de tablet. “Foi uma iniciativa muito acertada, sabe? Eu sei que ia dar um jeito, porque a gente aprende a dar sempre, mas não seria o ideal”. A estudante mora em um sítio, com a mãe agricultora e mais dois irmãos menores.

O Pró-reitor de Assuntos Estudantis, Erison Natécio da Costa Torres, explica que o Auxílio Inclusão Digital está inserido no Programa de Fomento às ações de Assistência à Permanência Estudantil – ProUern. Na primeira etapa foram disponibilizadas 1000 vagas com recursos no valor de R$ 1.000,00. Em seguida, foram ofertadas mais 500 vagas. O investimento possibilitou que os estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica pudessem cursar o semestre letivo no formato remoto. A intenção da Universidade é manter esse auxílio de forma permanente, como meio de proporcionar aos alunos o acesso à Internet. Com a oferta de mais 500 auxílios, o valor do investimento até este mês de setembro, soma R$ 2 milhões.

Além do Auxílio Inclusão Digital, a Pró-reitoria manteve o atendimento multiprofissional oferecido aos estudantes que precisam de apoio psicológico e pedagógico. Esse atendimento ocorreu por meio da plataforma Google Meet, nos turnos da manhã, tarde e noite. A política de assistência estudantil desenvolvida pela Uern é fundamental para assegurar as condições de permanência aos estudantes em situação de vulnerabilidade social. Nesse período de pandemia, todos os programas foram mantidos e as bolsas foram pagas sem atraso.

A coordenadora-geral do Diretório Central das e dos Estudantes Anatália de Melo Alves (DCE), Yamara Santos, ressalta que a Uern é formada por  estudantes que lutam diariamente por uma universidade popular, democrática, que faça ecoar os sonhos da classe trabalhadora.

Yamara Santos foi a primeira estudante de um campus avançado a assumir a coordenação-geral do DCE. Ela faz o curso de Letras/Língua Portuguesa, no Campus Avançado de Assú.  “Nossa amada UERN é fruto da luta de muita gente que sonhou por uma educação pública, gratuita, de qualidade, socialmente referenciada, do povo e para o povo. São 53 anos de existência que simbolizam vidas transformadas. A Uern é um de nossos mais preciosos bens, um patrimônio potiguar. Vida longa à Universidade que todos os dias nos possibilita sonhar e tornar real os nossos sonhos. A Uern é resistência”, destaca Yamara Santos.

Auxílio-Creche – Aprovado pelo Conselho Diretor no dia 20 de outubro de 2020, o Programa Auxílio-Creche, proposto pela Prae, irá beneficiar estudantes regularmente matriculados nos cursos de graduação com filhos de zero a cinco anos, que receberão auxílio financeiro para uso exclusivo com despesas com creche, pré-escola ou cuidador, assegurando a igualdade de condições no exercício das atividades acadêmicas. Terão prioridade estudantes em condição de vulnerabilidade social.

Os recursos relacionados à aplicação do programa, assim como acontece com o Auxílio Inclusão Digital, serão provenientes do Fundo Estadual de Combate à Pobreza (FECOP). Em setembro de 2019, o Governo do Estado incluiu a Uern como beneficiária do fundo, possibilitando à instituição ampliar a assistência estudantil. A previsão é que, até  2023, a Universidade receba R$ 10,8 milhões através do Fecop.

Entrevista Fátima Raquel Rosado Morais

Por Fabiano Morais,
Rosalba Moreira e 
Thifanny Alves

A gestão da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), quadriênio 2017/2021, liderada pelos professores Pedro Fernandes Ribeiro Neto e Fátima Raquel Rosado Morais, encerra neste dia 28 de setembro.

Foram quatro anos de superação e desafios, que deram continuidade a um modelo de gestão iniciado em 2013. Diretamente à frente da Universidade desde 2020, a reitora em exercício Fátima Raquel Rosado Morais fala sobre os avanços conquistados nos últimos oito anos e as dificuldades enfrentadas, sobretudo no contexto da pandemia de Covid-19.

Em entrevista, a reitora responde aos questionamentos dos jornalistas Fabiano Morais e Rosalba Moreira, e da estudante Thifanny Alves, do curso de Jornalismo da Uern.

Ela abordou questões sobre investimento na assistência estudantil, valorização de servidores, proposta de autonomia financeira, o enfrentamento à pandemia de Covid-19 e ação de consolidação da Uern como uma Universidade socialmente referenciada.

Ambulatório oferece cuidado e acolhimento ao público LGBTQIA+

Por Iuska Freire

Sentados em um círculo, eles e elas aguardavam o atendimento enquanto todo um ritual era preparado para aquele momento. Primeiro um escalda-pés, uma música e em seguida uma dinâmica que possibilitou um espaço de escuta. Foi dessa forma que o atendimento no Ambulatório LGBTT+ da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) iniciou em uma quarta-feira de junho de 2021.

Fruto de uma escuta coletiva e de uma demanda dos movimentos sociais, o Ambulatório LGBTT+ da Uern, o primeiro do Rio Grande do Norte, foi inaugurado em outubro de 2019, sendo uma das linhas de cuidado do Ambulatório Interprofissional das Residências em Saúde da Uern, da Faculdade de Enfermagem (FAEN).

Os atendimentos fazem diferença na vida de lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis, queer, intersexo e assexuais, dentre outras orientações e identidades de gênero, que encontram no ambulatório um espaço de atenção, de escuta e atendimento especializado.

Ambulatório realiza atendimentos especializados

O Ambulatório Interprofissional das Residências em Saúde da Uern nasceu da articulação entre os três programas de residências em saúde: Residência Multiprofissional em Atenção Básica/Saúde da Família e Comunidade, vinculada à Comissão de Residência Multiprofissional (COREMU), com parceria da Prefeitura de Mossoró; e as Residências Médicas em Ginecologia e Obstetrícia e em Medicina de Família e Comunidade, ambas vinculadas à Comissão de Residência Médica (COREME).

O professor Rafael Soares, coordenador da Residência Multiprofissional em Atenção Básica/Saúde da Família e Comunidade, explica que o ambulatório surgiu a partir da sociedade, uma demanda dos movimentos sociais que a Universidade acolheu, organizou e estruturou. O Ambulatório LGBTT+ foi aprovado pelo Conselho Municipal de Saúde e é um serviço com grande representatividade popular.

“Às vezes essa é a única porta que se abre diante de tantas portas que se fecham ao longo de toda uma vida. A gente tenta ser a porta que acolhe, tem empatia, que respeita as diferenças, as singularidades e tenta dar para todos e todas o melhor cuidado possível. Temos depoimentos muito emocionantes e o fato de o ambulatório ter nascido do movimento social faz com que eles e elas se sintam parte, e realmente são parte. O serviço nasceu a partir de reuniões com o movimento para entender a necessidade e as demandas”, destacou Rafael.

Se os pacientes encontram no ambulatório esse lugar de escuta e o atendimento especializado, para a equipe de residentes e profissionais que atuam no local, essa experiência também é transformadora: “Diante de uma realidade tão difícil, a gente aprende a ter um pouco mais de empatia e humanidade. Em nossa bolha, a gente não não vive a LGBTfobia, por isso a gente não tem lugar de fala. O ambulatório impacta a vida dessas pessoas, a gente transforma a vida deles e delas e sai muito transformado em todo esse processo”, comentou Rafael Soares.

O coordenador do Ambulatório, prof. Lucídio Clebeson, destacou em uma reportagem, feita em fevereiro deste ano de 2021, que o funcionamento do projeto tem atingido o primeiro grande propósito de dar visibilidade e abrir as portas da Universidade para a comunidade externa.

Miguel Victor frequenta o ambulatório desde que o serviço passou a ser oferecido

Vidas impactadas – Miguel Victor é um homem trans de 27 anos que frequenta o ambulatório desde o início dos atendimentos. O motoboy e segurança iniciou sua transição há quatro anos, mas, por receio de ir ao posto de saúde, tomava hormônios de forma clandestina e sem acompanhamento médico. “Eu tomava hormônio por conta própria, isso acarretou outras doenças como diabetes. A médica pediu para eu dar um tempo nos hormônios para controlar a diabetes. Não me sinto bem procurando atendimentos em outros locais, alguns amigos já passaram por situações de discriminação”, comenta Miguel.

A negação e resistência de alguns serviços de saúde em respeitar o nome social é um dos fatores que geram constrangimento para o público trans, por isso a procura por tratamentos clandestinos ainda é uma realidade perigosa entre as pessoas trans. Em 2016 a Uern deu um grande avanço nas políticas afirmativas de gênero ao aprovar a Resolução Nº 22/2016, que dispõe sobre o uso do nome social no âmbito da Universidade.

Klaus Macena traz na pele a marca de sua transição

O estudante de psicologia Klaus Macena se descobriu homem trans com 18 anos. “Sou bem interessado em moda e vi que tinha alguns modelos andrógenos, sem gênero específico. Assim descobri a transexualidade e vi que todo desconforto que eu sentia com meu corpo e minha imagem, o que eu via no espelho e não encaixava na minha cabeça, tinha uma resposta. Aí eu comecei a correr atrás desse sonho de ser eu’, conta Klaus.

Trazendo na pele a marca de sua transição, ele explica a história de sua tatuagem, feita para marcar o primeiro ano do reconhecimento do seu corpo e identidade: “Ela tem a figura de minhas duas crianças internas, um menino e uma menina. Esses dois são eu. Uma vivia escondida, era o menino que demorei a aceitar. A menina me deu base para ser o homem que sou hoje. A vivência enquanto mulher, no país que a gente vive, na cultura que a gente vive,  tão violenta, me possibilitou ser um homem que tem a visão do que é ser uma mulher. Isso é muito importante pra mim”.

Klaus ressalta a importância do Ambulatório: “Me proporciona um lugar de cuidado com minha saúde e um encontro comigo mesmo, porque algumas pessoas trans procuram algumas intervenções, como o hormônio, a cirurgia… Fazer isso cuidando da minha saúde é uma forma de amor próprio. Saber que eu posso contar com um lugar com profissionais como médicos e psicólogos que olham e me acolhem é fundamental”, opinou o estudante, enaltecendo o trabalho dos residentes que levam esse conhecimento para outros locais em que trabalham.

UERN oportuniza a formação continuada no interior do Estado

Por Adriana Morais

Para muitas famílias, sobretudo aquelas que moram no interior do estado, a obtenção de um diploma de graduação para algum de seus membros representa a realização de um sonho, a conquista de ter um “doutor” na família. Isso porque, há alguns anos, o tratamento de doutor advindo da titulação da pós-graduação stricto sensu era algo distante da realidade de muitas destas famílias, uma vez que para dar prosseguimento na carreira acadêmica era necessário se deslocar para grandes centros urbanos.

Em 2007, a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) começou a dar sua contribuição para a difusão dos cursos de pós-graduação stricto senso no interior do Rio Grande do Norte, com a implantação das três primeiras ofertas de mestrado: Física e Ciência da Computação, no Campus Central, e Letras no Campus Avançado de Pau dos Ferros. Hoje são 22 cursos de mestrado e quatro de doutorado, em todas as áreas do conhecimento, que possibilitam ao estudante, em especial aqueles que moram no interior, cursar da graduação ao doutorado na própria Instituição.

E foi o que Pâmella Rochelle Rochanne Dias de Oliveira fez. Após concluir a graduação em Comunicação Social na Uern, optou por dar sequência a sua trajetória acadêmica na própria Universidade. Titulou-se mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais e Humanas (PPGCISH) e atualmente é doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL), do  campus Avançado de Pau dos Ferros.

Pâmella Rochelle cursou da graduação ao doutorado na Uern

Natural de Piripiri, no interior do Piauí, Pâmella Rochelle mora em Mossoró desde os seis anos de idade, e é a primeira do núcleo familiar a conseguir diploma de curso superior, “o que foi uma grande conquista não só minha, mas de toda minha família”, conta. Ela lembra que entrou na Uern através do sistema de cotas sociais, no semestre de 2008.2.

“Minha mãe engravidou muito nova, aos 17 anos, e por isso não pôde tentar fazer uma faculdade, além de ser de uma família humilde e por isso precisava trabalhar, não podendo se dar ao luxo de estudar. Como sabemos, o estudo, o conhecimento, por muito tempo foi um luxo concentrado nas mãos de pouquíssimas pessoas”, relembra a estudante, sobre ter sido a primeira da família a ter oportunidade de ingressar no ensino superior.

A formação de Pâmella Rochelle em Comunicação Social marcou um importante passo para a transformação social de sua família e inspirou outros membros a ingressar no ensino superior. “Minha mãe conseguiu se formar algum tempo depois de mim, em Pedagogia (área que já atuava), além dela, esse ano meu irmão caçula defendeu seu TCC no curso de Filosofia, também na Uern”, diz.

O interesse de Pâmella Rochelle pela vida acadêmica começou na graduação. “Mais precisamente a partir do 6º período, depois de ser bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), do projeto de pesquisa “Autobiografias em quadrinhos: as escritas de si como fenômeno estético-político”, coordenado pela professora doutora Daiany Ferreia Dantas”, informa. “Logo após a conclusão do curso, já com planos de tentar um mestrado, eu comecei a trabalhar numa TV local como repórter do jornal da noite, e acabei não passando na minha primeira seleção de mestrado. Foi aí que percebi que eu deveria escolher o que realmente queria naquele momento e me dedicar totalmente a isso, então após quase um ano de trabalho, eu saí da TV e me dediquei a estudar para o mestrado, foi quando passei na minha segunda seleção (em 2014) do   PPGCISH/Uern”, lembra Rochelle.

A pesquisadora diz que precisou ter a mesma dedicação para ingressar no curso de doutorado. “Terminei o mestrado no final de 2016 e em 2017 me dediquei a estudar para o doutorado com um pouco de receio, mas com total certeza que era a vida acadêmica que eu aspirava”. Ela lembra que outra pessoa muito importante para vida acadêmica é o professor Francisco Paulo da Silva, da Faculdade de Letras e Artes (FALA/UERN). Hoje Pâmella Rochelle cursa doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Letras pela Uern no campus de Pau dos Ferros, unindo sua pesquisa tanto à área de Comunicação como à área de Letras, na construção de sua tese em que analisa os discursos das youtubers negras brasileiras, investigando o racismo, o feminismo e o empoderamento, que são questões que perpassam a construção de suas subjetividades e os modos de governo de si.

“Sou muito grata à Universidade do Estado do Rio Grande do Norte por me permitir ter uma formação continuada e de qualidade, sem precisar ir para grandes centros em outros estados. O que, principalmente no início da minha trajetória acadêmica, era algo impossível por inúmeros fatores, entre eles o financeiro. Com certeza a Uern contribuiu e continua a contribuir para a minha vida profissional, seja ela no mercado na área da comunicação ou de Letras, seja ela na vida acadêmica. Sem a Uern eu certamente seria uma pessoa diferente de quem sou hoje. E assim como eu, sei que inúmeros jovens de Mossoró e da região encontram nessa universidade uma possibilidade de mudar de vida, ascender socialmente, se construir enquanto profissional. O que para mim e para muitos seria impossível sem um ensino público, gratuito e de qualidade em nosso estado”, finaliza.

AMPLIAÇÃO PLANEJADA – A expansão e consolidação da formação continuada na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte tem como base o planejamento evidenciado em seus Planos de Desenvolvimento Institucional, que possibilitou o aumento da oferta de cursos stricto sensu de forma organizada.

Para o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Uern, o professor Dr. José Rodolfo Lopes de Paiva Cavalcanti, o crescimento da pós-graduação na Universidade pode ser explicado em três frentes. A primeira diz respeito ao esforço coletivo dos nossos segmentos docente e técnico-administrativo. “Estes vêm buscando importantes soluções para que a Uern possa fortalecer o seu papel de instituição socialmente referenciada e isso repercute diretamente na oferta de mais ações, sejam elas no Ensino, Pesquisa, Extensão ou, no caso, pós-graduação”, explicou.

O segundo ponto que permitiu a ampliação das ofertas de programas de pós-graduação stricto sensu foi uma robusta política de capacitação de pessoal docente e técnico-administrativo que, ao longo do tempo, tem garantido oportunidades para que os servidores, ao finalizarem as suas pós-graduações, retornem à Instituição e se articulem em torno de desenvolver essas ofertas. Atualmente, mais de 90% do corpo docente é formado por mestres e doutores. O quadro técnico-administrativo também vive pleno crescimento da sua qualificação.

Entrevista reitora eleita Cicília Maia

Por Jefferson Garrido,
Nathan Figueiredo e
Brena Alves

A professora Dra. Cicília Raquel Maia Leite assume a gestão da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) pelos próximos quatro anos. A reitora eleita, juntamente com o vice-reitor eleito, professor Francisco Dantas de Medeiros Neto, estarão à frente da Universidade durante o quadriênio 2021/2025.

Nesta entrevista, Cicília Maia respondeu aos questionamentos dos jornalistas Jefferson Garrido, chefe do Departamento de Comunicação Social (Decom/Uern), e Nathan Figueiredo, da Assessoria Jurídica, e da estudante Brena Alves, do curso de Jornalismo da Uern, representando, respectivamente, os segmentos de docentes, técnicos administrativos e discente. Ela falou sobre propostas para otimizar as ações de ensino, pesquisa e extensão.

Cicília Maia também abordou questões sobre projetos para melhoria da infraestrutura da Universidade, ações de modernização e informatização dos processos, as ideias de parcerias para potencializar as ações da Uern junto à sociedade, entre outros temas.

Um vice-reitor pronto para assumir novos desafios

Por Iuska Freire

“Cada novo dia é uma nova chance para você mudar a sua vida”. Essa frase do site do professor Francisco Dantas de Medeiros Neto, mais conhecido na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) como professor Chico Dantas, resume a essência do professor inquieto, criativo e que encara os desafios que surgem em sua trajetória. Um percurso guiado pela educação.

Chico Dantas assume um novo papel em sua biografia neste ano de 2021, quando toma posse do cargo de vice-reitor da Uern ao lado da Reitora Cicília Raquel Maia Leite. Será o primeiro vice-reitor da Uern proveniente de um Campus Avançado.

“A educação me trouxe até aqui e por ela irei batalhar. Sempre”, afirmou Chico Dantas em suas redes sociais. Chico Dantas cursou o ensino fundamental na zona rural de Serra Negra, o ensino médio em Caicó; em Natal, o ensino superior (graduação) e o mestrado; no Rio de Janeiro e Lancaster (UK), o doutorado. Após o doutorado retornou para Natal, exercendo atividade docente e a direção da Uern Natal.

Tendo como novo endereço Mossoró, o vice-reitor Chico Dantas vai continuar lecionando no Departamento de Ciência da Computação e no Programa de Pós-graduação em Ciências da Computação (PPgCC) da UERN/UFERSA.

Cursos reconhecidos

Por Iuska Freire

No dia 24 de abril de 2014, a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) entregava, pela primeira vez, um diploma em uma solenidade de Colação de Grau. O marco aconteceu no Campus Avançado de Caicó. Ana Priscila Alves, do curso de Filosofia, foi a primeira aluna da Uern a receber o diploma. Desde então, todos os diplomas passaram a ser entregues nas solenidades de colação de grau presenciais.

Ana Priscila, professora de Filosofia, foi a primeira estudante da Uern a receber o diploma em uma solenidade de Colação de Grau, no ano de 2014 em Caicó

Passados 7 anos, a professora de Filosofia da rede básica de ensino em Caicó, ainda mantém os laços com a Universidade: “Meu vínculo com a Uern está presente desde o meu ingresso no ano de 2008, até o contexto atual. Como discente, participei do PIBID [Programa Institucional de Bolsa de Iniciação a Docência] o que possibilitou uma confirmação sobre o que realmente eu queria ser: professora. Foi uma experiência em que pude participar e me familiarizar com o ambiente escolar somado às disciplinas que a própria grade curricular ofertava”, comentou Priscila.

A entrega dos diplomas nas solenidades de colação de grau marca momentos emocionantes na Uern. Esse rito foi suspenso em 2020 devido à pandemia de Covid-19. Na impossibilidade de realizar eventos presenciais, as solenidades de colação de grau passaram a ser remotas. No dia 8 de abril de 2020, a Uern realizou sua primeira colação de grau de forma virtual, graduando 28 estudantes do curso de Medicina que anteciparam a cerimônia para atuarem na linha de frente contra a doença. A solenidade foi amparada pela Medida Provisória 394, de 1º de abril de 2020 e no Decreto Estadual de 8 de abril de 2020. Desde então, a Uern vem realizando as solenidades por meio de videoconferências.

Atualmente, conforme explica Daniel de Morais, diretor de Registro e Controle Acadêmico, os alunos recebem a certidão de conclusão por e-mail, logo após o término da cerimônia de colação de grau remota. Essa certidão tem uma validade de três meses. “Os diplomas estão sendo emitidos de acordo com a sequência das colações. O setor de diploma informa  aos departamentos quando os diplomas estão prontos e os alunos agendam para irem receber o documento”, explicou Daniel.

Mais de 2 mil estudantes foram graduados ao longo de 2020 e 2021 no formato remoto. A emoção mudou de plataforma, mas esteve presente nas solenidades virtuais. Independente do formato da colação de grau, para garantir a validade dos diplomas a Uern desenvolve um trabalho contínuo para que os cursos sejam reconhecidos ou tenham a renovação do reconhecimento pelo Conselho Estadual de Educação (CEE/RN).

Mais de 2 mil estudantes foram graduados em 2020 e 2021 em solenidades remotas

O Pró-reitor de Ensino de Graduação, Wendson Dantas, explica que, entre os anos de 2014 e 2021, foram realizados 136 processos de reconhecimento ou renovação do reconhecimento de cursos. Esse número evidencia uma política consolidada, com avaliação contínua nos índices, investimento na capacitação e qualidade do ensino. Em decorrência da pandemia de Covid-19, os processos realizados/abertos nos anos de 2020 e 2021 ocorreram de modo excepcional, em que resultaram na publicação dos atos autorizativos concedendo a renovação de reconhecimento automática dos cursos, tendo em vista a impossibilidade de visita das comissões de avaliadores do Conselho Estadual de Educação.

Em 2020 foram homologados 27 processos de Renovação do Reconhecimento.  Já em 2021, até junho, foram homologados 16 processos, sendo dois de Reconhecimento e 14 de Renovação do Reconhecimento. Entre os processos, no dia 12 de março de 2021, o Governo do Estado publicou o ato de homologação de reconhecimento e renovação de cursos de graduação da Uern, ofertados no Campus Central, em Mossoró, e nos campi avançados de Assú e Natal.

REPRESENTATIVIDADE – Atualmente o Conselho Estadual de Educação é presidido por um professor aposentado da Uern. Ocupa o cargo o prof. Dr. Aécio Cândido de Sousa, vice-reitor na gestão de Milton Marques (in memoriam). Outro professor aposentado da Uern, também já ocupou a presidência do Conselho, o ex-reitor da Uern, Pe. Sátiro Cavalcanti Dantas, foi presidente do CEE em dois mandatos entre os anos de 1991 a 1993 e de 1999 a 2001. O professor Dr. Wogelsanger Oliveira Pereira é o outro membro da Uern integrando o Conselho Estadual de Educação.

Há 53 anos, a Uern impulsiona o desenvolvimento do RN

Por Luziária Machado

Uma universidade socialmente referenciada, com foco nas pessoas e a serviço do Rio Grande do Norte. Há 53 anos, a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) tem contribuído para o desenvolvimento do RN, especialmente nos municípios do interior do estado.

A fundação da Uern, em 1968, marca o início da interiorização do ensino superior em solo potiguar. Até então, a população que não residia em Natal precisava se deslocar à capital para fazer um curso superior; o diploma de graduação era um sonho quase impossível para a maioria dos norte-rio-grandenses. Foi nesse cenário que a Uern foi instalada inicialmente em Mossoró e em seguida chegou a todas as regiões do estado.

Em 1974 teve início a expansão da Uern, com a fundação do primeiro campus avançado, em Assú. Em 1977, surgiu o campus de Pau dos Ferros e, em 1980, o de Patu. Anos mais tarde, deu-se início à segunda fase de expansão da Universidade, com o Campus de Natal, em 2002, e o campus de Caicó, em 2004. Neste período também surgiram os núcleos avançados de educação superior, instalados em Caraúbas, Apodi, Areia Branca, Alexandria, Umarizal, São Miguel, Macau, Touros, João Câmara, Nova Cruz, Santa Cruz e Currais Novos, que funcionaram até 2020 e prestaram um amplo serviço à sociedade potiguar, levando educação superior a inúmeras famílias.

Atualmente a Uern oferta 56 cursos presenciais em seus seis campi; na modalidade EaD (Educação a Distância) são ofertados cinco cursos de graduação. Nesses 53 anos, a instituição expediu aproximadamente 50 mil diplomas de graduação, além dos mais de 7 mil diplomas dos cursos de pós-graduação, que atualmente somam 22 cursos de mestrado e quatro de doutorado, contemplando todas as áreas do conhecimento e possibilitando a formação continuada de seus egressos.

No interior do Rio Grande do Norte é comum encontrar um egresso da Uern atuando, e se destacando, na saúde, na educação ou como profissional liberal. Não raramente, esses egressos foram os primeiros de suas famílias a ingressar em um curso superior e conquistar um diploma de graduação.

Nos últimos oito anos, a Uern vem se consolidando com a marca da inclusão em sua dimensão mais ampla, sendo expressão dessas políticas e ações: o acolhimento de todos os estudantes ingressantes; o acompanhamento didático-pedagógico, psicossocial e afetivo de alunos com diferentes deficiências; a adoção do nome social; e as políticas de acesso (cotas sociais, étnico-racial, indígena, regional, escola pública) e permanência.

Além do ensino, a Universidade tem feito a diferença na vida de milhares de famílias através dos seus núcleos e projetos de extensão, como o Festival de Teatro da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Festuern), uma das mais tradicionais ações de extensão da Uern que atua diretamente com as estudantes de escolas públicas da educação básica, despertando o interesse pela educação através da cultura, e o Uern Ação, realizado em parceria com o Projeto Esperança da Paróquia de São José, em Mossoró, que leva às crianças e jovens de bairros menos assistidos, aulas de teatro, música, dança, xadrez, entre outros.

Vários projetos de extensão foram realizados durante a pandemia, como o UERN Vacina Mossoró, que atuou diretamente na vacinação da população. Para se ter ideia do impacto da extensão na sociedade, em 2020, o público atendido pelas ações de extensão da Uern foi de 172.835 pessoas.

No campo da pesquisa e inovação, a Uern tem investido na consolidação dos grupos de pesquisa, melhorando as suas avaliações junto ao CNPq. Neste sentido, os pesquisadores da Universidade têm prestado um grande serviço a estados e municípios atuando na elaboração de diagnósticos e apontando caminhos para soluções em diversas áreas. Toda essa expertise vem recebendo o reconhecimento dos gestores públicos, que não raramente, tem em seus quadros servidores e egressos da Universidade.

A governadora do Rio Grande do Norte e chanceler da Uern, Fátima Bezerra, faz questão de destacar em seus discursos, a valorização da Universidade pela sua gestão e o seu empenho em construir uma universidade cada vez mais democrática e inclusiva. “Por ser uma instituição capilarizada no estado, a nossa universidade estadual se constitui uma mola propulsora para o desenvolvimento econômico, cultural, artístico e científico dos polos regionais, possibilitando que o máximo de pessoas tenham acesso à instituição. Nossos cursos são muito bem conceituados e temos orgulho de poder favorecer às famílias mais humildes uma nova perspectiva de vida, através da oportunidade de cursar uma graduação ou pós, sem sair da sua cidade, ou da sua região. Parabéns e vida longa à UERN”.

Essa contribuição impacta diretamente nos municípios potiguares. Em Mossoró, o prefeito Allyson Bezerra formou um secretariado técnico, e aproveitou vários nomes da Uern, um reconhecimento à importância da instituição para o município. “Na Prefeitura de Mossoró, temos a satisfação de contar em nosso secretariado com nomes oriundos dessa instituição, representando sua inteligência, capacidade de trabalho e poder transformador. Reforçamos nosso compromisso em continuarmos de mãos dadas com a Uern, assim como acontece durante a campanha Mossoró Vacina, onde estudantes, dirigentes e professores participam ativamente dessa cruzada pela saúde e vida de nosso povo – como voluntários. Parabéns por seus 53 anos, Uern!”.

O prefeito de Assú, Gustavo Soares também reconhece a importância da presença da Uern no para o desenvolvimento do município, que foi o primeiro a receber um campus avançado da Universidade. “O Campus Avançado de Assú é uma instituição que tem, ao longo dos 53 anos da UERN, mais de 40 anos de atuação em nossa cidade, elaborando uma história de verdadeira emancipação para a nossa gente. O Campus de Assú dialoga e constrói, com as escolas e as instituições assuenses, um lugar de pensarmos coletivamente a cidadania. Muito orgulho e gratidão pelas tantas contribuições que a UERN proporciona a nossa cidade!”.

Em Patu, a Uern é a única Instituição de Ensino Superior (IES) a ofertar cursos de graduação e pós-graduação. No município, a atuação da Uern pode ser sentida em todas as atividades. O prefeito Rivelino Câmara é um entusiasta e parceiro do Campus de Patu. “Entendemos a importância e a necessidade de diálogo entre a Universidade e o Município para o avanço de Patu. Nossa gestão desde o primeiro mandato esteve disponível para ajudar, conseguimos emendas parlamentares, como também auxiliar na estrutura física do Campus Patu, essa parceria é um investimento na educação do município”.

A Uern mantém importantes parcerias com a Prefeitura de Pau dos Ferros. A prefeita Marianna Andrade destaca a importância da presença da Uern para o desenvolvimento da educação do município e da região. “A gente é consciente do papel institucional da Uern na vida de todos nós pau-ferrenses, da população que vem dos municípios circunvizinhos e também dos estados que fazem fronteira com Pau dos Ferros. Nosso muito obrigado e parabéns à Uern. Aqui o nosso compromisso em caminhar juntos sempre em prol da educação e do melhor para o nosso povo”. 

A Universidade também está presente em Natal, através do seu campus na Zona Norte da capital. O prefeito Álvaro Dias destacou o alto nível de formação dos egressos e a contribuição da Uern para o município e para o RN. “A Uern é uma das instituições mais representativas que temos, não apenas em Natal, mas em todo o Rio Grande do Norte, na seara essencial da Educação e com alcance ampliado em todos os segmentos, pelo alto nível de formação que oferece a todos os que passam pelos seus bancos. Em resumo, a Universidade do Estado é um agente do desenvolvimento do RN. Ficamos muito felizes que Natal faça parte de sua história”.

Em Caicó, campus mais jovem da Uern, o impacto da presença da Universidade também pode ser sentida no dia-a-dia da cidade. De acordo com o prefeito Dr. Tadeu, a Universidade é responsável por…

Para a reitora em exercício da Uern, professora Fátima Raquel Morais, esse reconhecimento é consequência do trabalho desenvolvido pelos homens e mulheres que construíram a Uern ao longo desses 53 anos. Pessoas que diuturnamente dedicam suas vidas a transformar a vida de outras pessoas através da educação.

Escola da Uern ajuda artesãos e artistas populares a captar financiamento pela Lei Aldir Blanc

Por Ilana Alburquerque

Quando finalmente os primeiros editais da Lei Aldir Blanc de Emergência Cultural começaram a ser divulgados em agosto de 2020, depois da Lei nº 14.017 ser sancionada em 29 de junho do mesmo ano, surgiu no meio cultural uma nova preocupação. Percebeu-se que, sem ajuda para a formatação dos projetos, muitos artistas populares ficariam sem condições de acesso aos 3 bilhões de reais em recursos garantidos pelo Governo Federal e distribuídos por estados e municípios.

A Lei Aldir Blanc disponibilizou verbas para os potiguares através da Fundação José Augusto (FJA), do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, e da Fundação Capitania das Artes, do Município de Natal. Para concorrer aos editais, artistas, autores e produtores culturais precisavam submeter projetos nos termos e formatos legais exigidos e esbarravam na inexperiência com esses critérios.

Pensando nos colegas professores, amigos artistas populares, produtores e alunos ansiosos por financiamentos culturais, a Prof ª.Drª. Irene Van den Berg, através da Escola de Extensão da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (EdUCA/UERN), em Natal, passou a oferecer ajuda para apoio, assessoria e produção de projetos para submissão.

Com esse trabalho articulado, a Escola ajudou 37 projetos a captar mais de R$ 250 mil. Foram livros, lives, espetáculos de dança e de teatro, oficinas e videoconferências. Conteúdos produzidos e conhecimentos difundidos, através dos projetos que captaram financiamento, sendo cinco junto à Funcarte e 32, à FJA.

Dentro da Uern Natal, os principais beneficiários foram os grupos artísticos da EdUCA: Baobá (Teatro) e Cinese (Dança), além de projetos do Departamento de Ciências da Religião e da Incubadora Catavento, projeto do Departamento de Turismo do Campus da capital.

Para jovens artistas (grupos artísticos da EdUCA), a professora acredita que conseguiu compartilhar experiência em produção de projetos culturais, participação em editais e captação de recursos públicos para o fazer artístico, proporcionando a eles  inserção e visibilidade na cena cultural da cidade, bem como o alcance de novos públicos por meio das tecnologias usadas como uma forma cada vez mais abrangente de fazer e consumir arte, que exigiram a reinvenção e a produção contínua de atividades criativas nos momentos de isolamento social, para garantir renda e circulação de recursos financeiros na cadeia produtiva das artes, especialmente para os pequenos empreendedores da cultura, como artistas e profissionais de som, luz, iluminação, costura e muitos outros.

O trabalho de apoio, assessoria e produção de projetos culturais para financiamento pela Lei Aldir Blanc foi além dos muros do Campus de Natal e ajudou artistas populares e artesãos da capital e região metropolitana. Com ele, a Associação de Idosos Julieta Barros, vizinha da Uern Natal, conseguiu aprovar três projetos e captar mais de R$ 20 mil, aplicados em melhorias estruturais e produção de oficinas on-line de iniciação a técnicas artesanais, que promoveram a distribuição de renda entre os artistas idosos e ensinaram dezenas de pessoas a produzir artesanato para consumo ou comercialização.

A coordenadora da Associação, Marlene Santana, comemora a parceria com a EdUCA Uern e o resultado do trabalho de apoio, assessoria e produção de projetos para financiamentos pela Lei Aldir Blanc. Ela conta que recursos foram empregados na melhoria da acessibilidade para idosos no prédio da Associação, bem como serviu para realizar ações de comercialização de produtos artesanais e despertar o interesse de pessoas na busca por aprender técnicas artesanais ensinadas na Julieta Barros, seja como terapia ocupacional ou para geração de renda.

Produtos e projetos – Algumas das produções que a EdUCA  ajudou a produzir com financiamento pela Lei Aldir Blanc podem ser acessadas no YouTube, como a Oficinarte: Iniciação a técnicas artesanais, no canal da Associação Julieta Barros. Trata-se de oficinas de artesanato em 12 vídeos, nos quais seis artesãos apresentam técnicas para iniciação em crochê, bordado livre, renda de bilro, reutilização de materiais e composição em madeira.

O Minicurso “Comida de Santo: saberes da tradição para a prática pedagógica” está disponível no canal Ciências da Religião Uern Natal (https://www.youtube.com/religioUERNNatal), com oito aulas ministradas pela yalorixá Ya Luciene de Oyá e participação das professoras Irene van den Berg e Araceli Sobreira, da Uern Natal.

O Projeto Mnemônicas, também no canal Ciências da Religião Uern Natal, apresenta videoconferências para difundir conhecimentos sobre a memória religiosa potiguar, permeada pela memória histórica de instituições, sujeitos/grupos, lugares e festas/práticas, numa iniciativa integrada de ensino, pesquisa e extensão.

A websérie Mulheres da Tradição está no canal Uern Natal (https://www.youtube.com/c/UERNNatal) com cinco documentários independentes, sendo três sobre gastronomia e dois sobre artesanato, nos quais as protagonistas narram as biografias e saberes delas, ligados às receitas tradicionais da culinária potiguar e à técnica da confecção da renda de bilro.

E o e-book “Auto de Natal no Reino de Pindorama”, escrito pelo professor e diretor do espetáculo Denilson David, que, depois de emocionar centenas no palco da Uern Natal, transformou o Auto em livro disponível no site da Edições Uern, com a história de um reino distante que, após longa guerra entre as famílias sangue azul e sangue encarnado, passa a ser governado por uma rainha má, que proíbe seu povo de comemorar o Natal.

Servidores públicos no desenvolvimento da educação

Por Bruno Soares

Pergunte a um docente ou técnico administrativo sobre o sentimento de trabalhar na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e, provavelmente, a resposta mais ouvida será: orgulho. Trabalhar na administração pública, ocupar cargos que fazem diferença na vida das pessoas, transformar sonhos em realidade e proporcionar benefícios nos quatro cantos do nosso Estado. São esses alguns dos motivos que levam os mais de 1.400 profissionais a darem o melhor de si todos os dias em prol de uma educação pública, gratuita e de qualidade.

Ser servidor da Uern tem para Lírio Martins de Miranda Júnior o sentido de ajudar a manter uma janela de oportunidades aberta para nossa região. “É contribuir com uma maneira efetiva de desenvolvimento que é a educação. Fazer com que as pessoas sejam capazes de pensar de forma crítica e exerçam seu papel na sociedade da melhor forma possível”, destacou o servidor lotado no Departamento de Ciências Sociais da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais (FAFIC).

Luan Medeiros acrescenta ainda os sentimentos de gratidão e da luta em ser servidor da Uern. “Gratidão por exercer uma função pública e servir à população. Luta por estar diuturnamente em processo de busca por validação das garantias funcionais e institucionais disponíveis a todos os servidores desta Universidade: técnicos, instrutores e professores”, detalhou o servidor que atua no Departamento de Artes da Faculdade de Letras e Artes (FALA).

Desde que ingressa e até mesmo depois que se aposenta, o servidor público da Universidade conta com todo apoio dos diversos setores acadêmicos e administrativos, especialmente da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (PROGEP). Capacitações, assistência psicossocial, eventos e campanhas, entre outras atividades, oferecem saúde e qualidade de vida e promovem a valorização profissional.

“A gente tenta proporcionar ao nosso servidor uma assistência para que ele se sinta valorizado, se sinta mais feliz dentro do seu ambiente de trabalho. Nós tentamos manter um ambiente saudável dentro da Universidade para que alunos, técnicos e docentes, além dos terceirizados, possam construir sua vida profissional e passar de forma saudável pela instituição”, enfatizou Jéssica Neiva Figueiredo, titular da Progep.

Ainda são realizadas campanhas de vacinação, de prevenção e combate ao assédio, UERN Pela Vida (Setembro Amarelo), Outubro Rosa, Novembro Azul e a Campanha Meu Melhor Natal, de cunho social e solidário, além de uma série de ações voltadas à promoção do bem-estar, executadas por meio de parcerias internas e externas.

QUADRO DE PESSOAL– A Uern contava, até maio de 2021, com 649 técnicos administrativos de nível médio e superior e 787 docentes, ambos efetivos, sendo boa parte proveniente dos concursos públicos de 2010 e 2016. As constantes convocações dos aprovados com a renovação do quadro de pessoal são outra demonstração de um serviço público preocupado em melhor atender os anseios da sociedade.

Entre outubro de 2013 – logo após a posse do reitor Pedro Fernandes Ribeiro Neto no seu primeiro mandato e seu vice Aldo Gondim – e julho de 2014 (final da validade do concurso de 2010) foram efetivados 56 técnicos administrativos e 15 docentes.

Do certame de 2016 foram efetivados, até o dia 30 de junho deste ano, 165 docentes e 252 técnicos, sendo 89 de nível médio, 115 de nível superior e 48 de nível superior especializado.

O último concurso realizado pela Uern proporcionou a convocação de aprovados para suprir a carência de arquitetos, analistas de sistemas, bibliotecários, contadores, engenheiros eletricistas, engenheiros de segurança do trabalho, jornalistas, técnicos de laboratório, psicopedagogos, psicólogos, psicólogos educacionais, entre outros.

A qualificação dos docentes e técnicos reflete na rotina de trabalho, prestando melhores serviços administrativos e acadêmicos. Mais de 50% dos professores são doutores. Dos 787 efetivos, 424 possuem doutorado, 296 mestrado, 60 especialização e sete são graduados. Os dados são de maio deste ano.

Em relação aos 649 técnicos, seis são doutores, 92 mestres, 412 especialistas, 73 graduados, 52 têm ensino médio e 14, ensino fundamental.

PLANO  DE CARGOS, CARREIRA E SALÁRIOS – Os técnicos administrativos vivem agora a expectativa da aprovação do tão esperado Plano de Cargos, Carreira e Salários (PCCS). O documento foi entregue ao Governo do Estado no dia 28 de junho de 2021 pela Reitoria da Uern e a direção do Sindicato dos Servidores Técnicos da Uern (SINTAUERN).

A reitora eleita da Uern e chefe de gabinete da Reitoria, professora Dra. Cicília Maia, participou da entrega ao Gabinete Civil. “Acompanho de perto a construção deste plano pelos servidores técnicos administrativos desde a época que fui pró-reitora de Recursos Humanos e Assuntos Estudantis, em 2017. A valorização efetiva da Uern passa, inevitavelmente, pela aprovação de sua autonomia financeira e do plano de cargos, carreira e salários dos servidores da Instituição”, declarou.

Cotas sociais mudam destinos de alunos e egressos

Por Bruno Barreto

Mudar a vida de jovens sem perspectivas e fazer justiça social, foi com essa intenção que a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) foi uma das primeiras instituições de ensino superior do país a implantar, em 2002,  sistema de cotas sociais, reservando metade de suas vagas para alunos de escolas públicas.

Hoje o sistema evoluiu. A implantação das cotas étnico-raciais na Uern, a partir da Lei nº 10.480/2019, publicada em 31 de janeiro de 2019, ampliou a política de ações afirmativas da universidade que já possuía, desde 2013, a lei que garantia 5% das vagas para pessoas com deficiência.

De 2007 (quando os primeiros beneficiados pelas cotas começaram a se formar) até hoje, foram entregues ao mercado de trabalho 17.496 profissionais, dos quais 7.382 vieram através das cotas sociais, o equivalente a 42,19% dos diplomas entregues no período.

“As cotas têm uma função muito importante porque elas proporcionam aos jovens a oportunidade de transformarem a realidade deles, das suas famílias e dos lugares onde eles estão inseridos”, frisa Wendson Dantas, pró-reitor de Ensino de Graduação da Uern.

Natanias Macson realizou o desejo de cursar Medicina

Filho de costureira, mossoroense, com a família materna tendo origem em Serra do Mel, avós agricultores e uma história de vida que interdita o sonho de um menino pobre de ser médico, Natanias Macson tinha tudo para não conseguir realizar o sonho. Hoje no nono período de medicina na Uern, ele saiu da escola pública para a realização do sonho graças à política de cotas da Uern. “Minha vida sempre foi difícil em termos de oportunidades. Morei muito tempo nas Malvinas e estudei em escola pública”, conta.

Diferente de boa parte dos oriundos de escola pública que entram no curso de Medicina através das cotas sociais, ele ainda teve a dificuldade adicional de não ter passado pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), considerado até melhor que escolas particulares. “Entrei na Faculdade de Medicina com uma história completa no ensino público e sem passar pelo IF. Eu não estava no mesmo nível acadêmico dos meus concorrentes”, declarou.

Ele conta que sempre teve um desempenho escolar acima da média, mas só percebeu que o curso de medicina ainda estava mais distante quando foi morar com o pai em Recife (PE). “As minhas notas despencaram. Lá tive que mudar totalmente minha forma de estudar e minhas notas começaram a subir”.

As cotas da Uern proporcionaram a Natanias a chance de finalmente chegar ao curso de medicina e de voltar a morar em Mossoró com a mãe. “Vir para a Uern tinha uma questão emocional porque eu voltaria para Mossoró e a morar com a minha mãe. Realizei dois sonhos”, revela.

Apesar da história de superação e esforço, Natanias reconhece que sem as cotas jamais conseguiria entrar no curso de medicina, dadas as adversidades que teve na vida.

Da escola pública à produção acadêmica

Letícia Gabriele S. Bezerra saiu da escola pública na pequena cidade de Governador Dix-sept Rosado/RN para entrar na vida acadêmica através do sistema de cotas sociais da Uern. Bacharela em Gestão Ambiental e mestranda em Ciências Naturais, também pela Uern, ela conta que entrou na Uern em 2015, quando foi realizado o último vestibular  da instituição. “Passei em primeiro lugar do meu curso nas vagas destinadas a cotistas oriundos de escola pública”, lembra.

Letícia Gabriele cursa mestrado em Ciências Naturais

Chegar ao nível em que se encontra agora, como uma mestranda, seria inimaginável para uma jovem de família carente. Mas com as cotas, esse sonho, antes muito difícil de ser concretizado por quem tem origem humilde, se tornou uma realidade.

“Ingressar na Uern foi uma conquista muito grande, pois eu vinha de um ensino público muito carente e pude conquistar meu lugar na universidade através das cotas, que existem justamente para oportunizar vagas às pessoas que sonham em estudar, ter sua profissão, porém muitas das vezes vêm de uma condição muito precária de ensino, passando por diversas dificuldades, como eu”, frisou.

Ela conta que superou uma barreira histórica dentro de sua família: “Meu pai tem o ensino fundamental incompleto e minha mãe apenas o ensino fundamental. Foi uma luta muito grande para me formar, e eu dedico até hoje minha formação à minha mãe que sempre me incentivou e incentiva, e sem dúvidas à Uern, uma universidade pública e de qualidade”, finalizou a gestora ambiental.

Uern amplia convênios com universidades estrangeiras

Por Bruno Barreto

A internacionalização da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) passa por um momento de transformação, quadruplicando o número de convênios num período de apenas três anos. Se em 2018 eram apenas sete,  sendo três em Portugal somados a outros na Espanha, Itália e  França, agora são 29 convênios.

A internacionalização é importante não só pela capacitação do corpo docente ou por dar oportunidade aos discentes de passar uma temporada no exterior, mas também para assegurar possibilidade de inovação curricular. “Os convênios e acordos internacionais têm por objetivo principal contribuir com a cooperação internacional entre a Uern e outros países, através de parcerias entre órgãos governamentais, universidades, institutos e outras organizações no exterior”, afirma o Prof. Dr. Pedro Adrião, titular da Diretoria de Relações Internacionais e Interinstitucionais.

O professor Pedro acrescenta que está em curso um processo de mudança de cultura interna na Uern com o processo de internacionalização. “Há o amadurecimento da comunidade uerniana, que percebe a importância da internacionalização em seu cotidiano, provavelmente fruto da globalização. O crescimento no número de acordos é a oficialização das ações realizadas pela comunidade acadêmica há algum tempo e vai além do tripé ‘ensino, pesquisa e extensão’ da universidade”.

O processo de internacionalização da Uern tem proporcionado uma maior interação dos docentes e discentes com instituições estrangeiras, gerando parcerias acadêmicas, como a publicação de artigos científicos e a vinda de docentes estrangeiros para ministrar cursos e disciplinas no Rio Grande do Norte.

O Prof. Guilherme Paiva de Carvalho, do Departamento de Filosofia, conta que, através de uma parceria com a Universidade de Évora/Portugal, atraiu docentes da instituição portuguesa para compor o conselho científico de uma revista do Mestrado em Ciências Sociais e Humanas. Além disso, a parceria está colaborando na elaboração do curso de doutorado em políticas sociais e direitos humanos. “Tivemos um evento no ano passado e outro neste ano. Esses eventos envolveram alunos da Uern. Produzimos um artigo com uma pesquisa realizada por uma aluna do Mestrado em Ensino da Uern, minha pesquisa em Portugal e um professor da Universidade de Évora”, relatou.

Já a professora Sara Taciana Firmino Bezerra, do curso de enfermagem do Campus de Pau dos Ferros de Pau dos Ferros, relata que o Instituto Superior de Ciências da Saúde (ISCISA) de Moçambique enviou duas alunas para passar parte da graduação na Uern. “Duas alunas estrangeiras vão cursar a disciplina de graduação de Enfermagem. Tem duas professoras que ingressaram no grupo de pesquisa de Enfermagem”, relatou.

A professora Ana Lúcia Aguiar está à frente do Convênio da Uern com a Universidad Marcelino Champagnat (Perú) e Universidad de Medellín (Colômbia) por meio de orientação de trabalhos a alunos estrangeiros. “Está havendo a orientação à doutoranda da UMCH/Peru que estou realizando. DAIN e pós-graduandos da Uern POSEDUC estão, no momento, com publicação de artigos na Revista da UMCH e na Universidad de Medellin já aprovada e há a organização (que, também, envolve os alunos da pós-graduação) do IX Seminário Nacional de Narrativas (Auto) Biográficas e II Seminário Internacional de Narrativas (Auto) Biográficas que envolvem Chile, Colômbia, Peru e Argentina”, contou. “Também foi publicado um e-book pelas edições EDUEPB em parceria na escrita de duas cartas a Paulo Freire com Chile, Argentina e Peru”, complementou.

INTERCÂMBIO – A Uern conseguiu ingressar no English Teaching Assistant ETA da Fulbright, programa que permite um intercâmbio com universidades norte-americanas em que professores recém-formados vêm ao Brasil ministrar cursos de inglês. Desde 2019, o Departamento de Letras Estrangeiras da Faculdade de Letras e Artes (DLE/FALA) entrou no programa da Fullbrigt.

O programa teve três edições, sendo a última paralisada por causa da pandemia. Ao todo, sete professores já ministraram cursos, beneficiando praticamente todos os alunos do curso de letras. “Além de alunos de jornalismo e turismo”, complementa o Prof. Me. Jorge Carvalho, coordenador do programa ETA na Uern.

Sistemas informatizados geram eficiência e economia

Por Bruno Soares

Eficiência, economia, transparência e praticidade podem ser apontadas como grandes qualidades dos sistemas informatizados utilizados pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Atualmente, a Diretoria de Informatização (DINF) opera e mantém 15 plataformas, com 37 subsistemas, utilizados nas atividades administrativas, de ensino, pesquisa e extensão.

A Dinf é responsável por planejar, implantar e manter as atividades relacionadas à Tecnologia da Informação da Uern, com a missão de garantir, com excelência, o apoio às atividades de ensino, pesquisa, extensão e gestão institucional, mediante execução e gerenciamento dos serviços e políticas de Tecnologia da Informação e Comunicação.

Os Sistemas Integrados de Gestão – SIG (SIGRH, SIGAA e SIPAC), a Plataforma Íntegra, o Sistema de Automação de Bibliotecas (SIABI), o Sistema Eletrônico de Informações (SEI), o Sistema Integrado de Gestão de Serviços (SIGs), o Sistema de Periódicos e o Sistema Gestão Fiscal (SIGEF) são algumas das ferramentas utilizadas no funcionamento da Universidade.

A Plataforma Íntegra, com todos os seus subsistemas, o Sistema do Censo da Educação Superior (BDI) e o Sistema de Periódicos foram desenvolvidos pela equipe técnica da Uern.

Os outros sistemas são fruto de parcerias com outras instituições, em que a Diretoria adapta as funcionalidades para a realidade da Uern, como é o caso do SIABI, dos Sistemas Integrados de Gestão – SIG (SIGRH, SIGAA e SIPAC), entre outros.

A importância dos sistemas e plataformas foi reforçada na pandemia do novo coronavírus (Covid-19), quando a Universidade teve que desenvolver soluções e promover o contínuo funcionamento das suas atividades.

Para isso, teve que fazer uso das ferramentas digitais, a exemplo do Google Meet para reuniões e eventos, Google Classroom para as aulas, eleição dos conselhos na Plataforma Íntegra e SIGEleição para a realização da escolha do(a) novo(a) reitor(a) e vice-reitor(a).

“Outro projeto interessante surgiu da necessidade de incentivar os servidores a ter um letramento digital em função do isolamento e redução das atividades presenciais provocadas pela Covid-19. A Dinf se adaptou às modificações nos sistemas de ensino e nas formas de se comunicar e interagir com o público. A partir dessa situação nova, os profissionais da Diretoria ficaram diante de um desafio para se reinventarem”, destacou o professor André Pedro, titular da Diretoria de Informatização.

Atualmente a Diretoria trabalha na manutenção dos sistemas e na implantação dos módulos do SIGAA para EaD, Pós-Graduação e Patrimônio Móvel, bem como a implantação do sistema de diploma digital da RNP.

Jornalismo para quê?

Veruska Sayonara de Góis (docente da UERN).

Existe uma enorme expectativa de que estejamos vivendo, atualmente, uma mudança de eras; mais do que uma era de mudanças. Parece apenas trocadilho, mas, com isso, muda a lógica do pensar as dinâmicas sociais, pois as cosmovisões, crenças, práticas e tradições sofrem grandes rupturas, mudam, deixam de existir no nível conhecido.

Assim é com a democracia, assim parece ser com o jornalismo. Em menos de uma década, os jornais impressos deixaram de existir, e formatos novos operam a partir dessa economia, que parece se firmar em atenção e dados, mais do que em informação. Pelo menos, à primeira vista.

Como marcos dessa era secular, temos o ataque às torres gêmeas (EUA, 2001); a quebra dos mercados mundiais (2008) e, sem dúvida, a pandemia (2020). De forma intangível, temos os processos de digitalização, algoritmização e inteligência artificial. Com o smartphone e sua incrível capacidade computacional, as gigantes da tecnologia fizeram de seu modelo de negócios uma exigência obrigatória para o resto do mundo.

Mas, contrariando as expectativas, parece que o jornalismo se faz mais necessário agora, quando existem dados demais – e informação de menos. E, como na democracia, o jornalismo não parece capaz de cumprir as grandes promessas, mas é responsável por um importante rascunho do presente.    

A hipótese de que todo mundo gere conteúdo é até plausível, mas na prática, não podemos consumir todo conteúdo de todo mundo. Isso devolve ao jornalismo o papel de curadoria do conhecimento, de agentes qualificados e confiáveis para tratarem informação de natureza pública e interesse coletivo. Esse é um trabalho que, de resto, não angaria publiposts, como ruas esburacadas, falta de saneamento e distribuição de vacinas.

Mas também não estamos dizendo que apenas a parte cinza, sisuda ou sem graça dos fatos é que sobraram ao jornalismo. Acreditamos que essas frentes vão ser muito importantes para a prática da profissão:

– Jornalismo e direitos humanos. Após as guerras mundiais do século passado, foram criados grandes documentos e tratados de direitos humanos, e essa gramática de direitos humanos parecia avançar. O terrorismo produziu um retrocesso com a super vigilância, as leis marciais e a ostensiva diminuição de garantias ao redor do mundo. A agenda dos direitos humanos agora trabalha a partir de um marco civilizatório mínimo, e resgatar e tratar essas questões deve ser uma função prioritária ao bom jornalismo.

– Jornalismo de dados. Apesar de tanta informação por aí (quem lê tanta notícia? Já diria Caetano), há mais desinformação, mentira e ignorância. Os dados não se mostram com transparência, as autoridades não respondem aos pedidos de explicação e prestação de contas, e cabe ao jornalismo coletar, tratar e traduzir os dados. Mais do que uma tarefa, o jornalismo de dados cuida de uma abordagem metodológica, que envolve conhecimentos específicos.

– Educação informal. O bom jornalismo deverá ser formador, e não apenas informador. Precisa tratar com ética suas fontes, seu olhar e a forma como toca a vida das pessoas. Jornalistas com opinião devem entender suas responsabilidades. Aqui, explicitamos que perspectiva, viés de consciência ou linha editorial, em regra, o corpo profissional de jornalismo tem. Não é a mesma coisa de opinar, emitir juízos de valor ou qualidade do que está tratando em seu material jornalístico. Para emitir opiniões, pode responder juridicamente por elas, uma linha já traçada na jurisprudência do tema.

– Comunicação organizacional. Na época do jornalismo de fontes, em que cada pessoa, empresa, órgão, tem o seu mix de produtos de comunicação, o jornalismo continua sendo uma forte coluna para as estratégias de marketing. Até mesmo se falar marketing de conteúdo implica na produção de informação útil e de qualidade, para além de publicidade. Assim, a transparência, a inclusão e a ética de responsabilidades devem guiar as iniciativas de jornalismo nas organizações.

Olhando por esse leque de possibilidades, acreditamos que o jornalismo mudou, consideravelmente. Várias de suas formas de expressão deixaram de existir. As plataformas têm tanto usado o conteúdo jornalístico sem contrapartida monetária como investido em inteligência artificial para elaborar textos jornalísticos, de forma a evitar essa possibilidade no futuro.

Todavia, o jornalismo diz respeito à comunicação do agora, com todas as dificuldades e todos os desafios. Como esse tempo presente é cada vez mais exigente, parece que ainda haverá quem leia e escute tanta notícia.